É má?
Não; é ignorante. Não sabe que se morre visto que elle vive na posse de uma ventura que nunca até alli conhecera.
Não sabe que se tem saudades, porque ao pé de Marius nunca esse espinho lhe mordeu no coração!
Pois é possivel ser desgraçado quando eu sou tão feliz! pergunta tacitamente com barbaridade que se ignora, cada um dos sorrisos de ventura que ella atirara em redor de si, sem se importar onde lhe vão cahir!
Ai! Cosette, Cosette! eu gosto de ti, borboleta, ébria de luz! és uma das visões luminosas que ficarás para sempre moça e querida! és uma estatua branca que ninguem ousará mutilar e que os seculos verão erguida no teu pedestal de flôres! Mas como eu te amaria muito mais ainda se em vez de seres o Amor fosses o Sacrificio!
Um dia Victor Hugo pediu ás neblinas matinaes dos climas do norte, uma porção de renda branca e transparente com que ellas corôam a crista das montanhas e... fez Déa!
Que doce, vaporosa e lendaria visão!
Não ha n'ella cousa alguma que seja realidade!
Toca na terra ao de leve; não tanto que pareça filha d'ella, não tão pouco que lhe não seja dado consolar alguem votado ás dores sem consolo.
É cega!