Margarida tinha dous filhos. Um menino e uma menina. Dous cherubins.
Mais meigos do que a mãe nunca fôra, mais doceis, mais tranquillos, tendo no olhar a serenidade melancolica do olhar de seu pae!
Thadeu envelhecido, de uma velhice precoce que assombrava os que o haviam conhecido na infancia, tinha por essas duas creanças um louco amor de avô.
Aquelles quatro seres eram a sua vida.
Fundia-os a todos na mesma adoração apaixonada e timida.
Vivia d'elles e para elles.
Henrique era o seu respeito. Margarida o idolo do seu passado, os dous cherubins louros, a unica esperança suave do seu futuro.
Sacrificar-se, esquecer-se, abnegar de si, eis o modo obscuro e sublime pelo qual elle sabia querer!
Mas os dous pequeninos que não eram turbulentos nem crueis, tinham nas suas caricias inconscientes o balsamo poderoso, o balsamo divino para as chagas occultas d'aquelle coração que a vida ulcerára tanto e tanto.