—Então porque não entram? Vejam se apanham um catharral! Está muito frio. Ó Joanna, traze duas malgas d'aquelle vinho que sabes, e não te esqueças de trazer uma talhada de presunto. Vão beber pinga de substancia! Este é do tal que faz peito, hê, hê, hê!

—Com que então—diziam os biltres—á saude do sr. doutor!

—Que Deus fará! Tornava o bom do lavrador, com as lagrimas nos olhos. Mas eu não tenho malga, traze-me tambem uma, que quero beber á saude aqui dos amigos.

E bebia de um trago, valentemente, com alma.

O estudante ás vezes, na vinda de Coimbra, chegava a Braga, onde tinha amigos e condiscipulos antigos, e ficava mais um dia. De fórma que o velho esperava, e ia deitar-se cheio de cuidados; não pregava olho toda a noute.

A Joanna, que bebera o mesmo leite que Sebastião, ouvindo-o gemer e suspirar, erguia-se, e perguntava-lhe:

—Tem alguma cousa, sô Sebastião?

—Que é? O estudante chegou? Já me levanto, traze-me a candeia!

E era preciso que a velha lhe explicasse tudo, e que o emballasse carinhosamente com aquellas doces palavras com que as mães adormecem os filhos rabugentos.