Oh! Thadeu ainda andava muita vez vestido de marujo, de granadeiro, de tyrolez e de alferes, ainda o introduziam no cofre da lenha, ainda o faziam fumar um charuto depois de jantar, cheio de ancias, de nauseas, de gritos abafados de angustia!... Mas que importava!

Logo que podia escapava-se para o quarto da fada, para o estojo côr de rosa da sua perola, da sua Margarida, e então eram risadas sem fim, eram corridas delirantes por sobre o tapete, era um papaguear de duas aves felizes.

Margarida com a idade ia-se fazendo despotica.

Pudera!

Ou ella não fosse mulher, e estremecida pelo seu humilde escravo!

Mas era assim mesmo que elle a queria.

Quando as mãosinhas polpudas e brancas de Margarida lhe batiam, Thadeu sentia-se feliz como um rei.

Quando ella o obrigava a agachar-se no chão para lhe servir de jumento, o rapazinho tinha tentações de rinchar de prazer, fazendo o passo bem ao vivo.

Porque no fim de contas, apezar de todas as suas adoraveis crueldades, Margarida gostava d'elle.