Lisongeria.

Nenhuma cousa reprovo,
Ou seja mal dita, ou feita,
Tudo louvo, tudo approvo
Por ser a todos aceita.

Interesse.

Costumo de usar cruezas
Com vizinho, e com estranho
Cayo em cem mil baixezas
Sò por tirar qualquer ganho.

Zelo indiscreto.

Como a ordem naõ entendo,
Porque me ey de governar,
Tudo quero emmendar,
Mas a mim nunca me emmendo.

Mà condicçaõ.

Posto que todos me emmẽdem,
Ninguem faz comigo avença,
Cuido que todos me offendem,
E eu sò sou minha offensa.

Afeiçaõ desordenada.

Nenhuma alma hoje me tem
Que seja esperitual,
Quando quero mayor bem,
Entaõ me faço mòr mal.