Amor profano.
Por fantastica invensaõ
Procede meu bem querer,
Por bens que naõ pòdem ser,
Sofro o mal que jà saõ.
Arrogancia.
Da graõ soberba sou filha,
Cuido que saõ meus os Ceos,
O mal propio naõ me humilha,
E incho com o bem de Deos.
Distraiçaõ.
Do que he culpa, faço graça,
Do que he peccado, ventura,
A alma trago na praça,
E o corpo na clausura.
Descortesia.
A honra como thesouro,
Nego a todos por mais brio,
Faço della fino ouro,
Porque a pezo ouro, e fio.
Temeridade.
Por muy indescretos meyos,
Espreito alheos peccados,
Naõ entendo meus cuidados,
Julgo cuidados alheos.