O elevado dos preços difficultou durante alguns annos a extracção de louça, tornando-a pouco conhecida. Os armazens da fabrica estavam atulhados de louça, quando em maio de 1846 rebentou no Minho a revolução popular. Os proprietarios da fabrica receiosos de que ella fosse victima da furia popular annunciaram a venda por lotes de toda a louça em deposito, venda que se realisou por preços bastante convidativos, que fez com que os productos da Vista Alegre se espalhassem, divulgando o seu bem acabado e a sua barateza. Estava aberto um novo periodo de prosperidade para a fabrica, mas este periodo só principiou a sentir-se de 1848 em diante, pois o resto do anno de 1846 e maior parte do de 1847, a fabrica nada produziu, pois estava fechada em resultado dos acontecimentos politicos d'essa epocha.

Prosperando sempre d'anno para anno, a fabrica chegou ao apuro em que hoje está, apresentando largas tendencias para progredir, tal é a activa e intelligente direcção que hoje tem. Para se avaliar dos progressos da fabrica basta dizer-se que os seus productos tem sido premiados em todas as exposições de Londres, Paris, Philadelphia, Vienna d'Austria, Rio de{31} Janeiro e Porto; do consumo que tem obtido os mesmos productos são prova irrefutavel os seguintes algarismos:

Em 1860 . . . . . 21:949$000

Em 1870 . . . . . 26:994$000

Em 1880 . . . . . 49:750$000

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Conjunctamente com a fabrica de porcelana, fundou o snr. José Ferreira Pinto, na Vista Alegre no mesmo anno de 1824 uma outra de vidro e cristal, que lhe ficou annexa. Os primeiros trabalhos foram dirigidos por um allemão, Francisco Miller, que havia annos já estava dirigindo a do Côvo, no concelho de Oliveira d'Azemeis, o qual foi substituido em 1826 por João da Cruz e Costa, de Lisboa, que esteve a dirigir o fabrico do vidro até 1834.

Foram desde logo bastante satisfatorios os resultados obtidos, de sorte que o fundador procurou pol-a logo a par das melhores do estrangeiro, mandando vir mestres experimentados para as differentes officinas de lapidação e floristagem.

Para aquella contractou em 1820 na Inglaterra Samuel Hunles, que veio para a Vista Alegre ganhar 2$400 reis diarios, e ali esteve até 1828, deixando bons discipulos.

O mestre de florista era italiano, e não passou de Lisboa, onde chegou em 1827, por alguem lhe affirmar que era muito miasmatico o clima da Vista Alegre. Para ali foram os aprendizes d'esta officina, que ao fim de tres annos de pratica foram dados por promptos,{32} affirmando o mestre que um d'elles João Ferreira Ribeiro, de Vagos, estava já mais mestre do que elle, o que não era sem fundamento, pois veio para a Vista Alegre dirigir a officina de florista o que fez com talento.