O appellido Pereira, do mesmo modo que o de Castro era tambem pertença do bispo, pois era segundo neto de João Rodrigues da Costa e de sua mulher D. Isabel Pereira.

O abbade Manoel Pereira de Moura Manoel morreu ainda em vida de sua mãe, mas não sem deixar{9} successão, pois teve uma filha de D. Clara Maria de Barros, natural de Gondar, no concelho de Guimarães, D. Josepha Caetana de Castro, que casou em 20 de novembro de 1748 com o capitão Manoel Alvares Brandão, de Santa Marinha de Taboa, no bispado de Coimbra. D'este consorcio nasceram duas filhas e um filho que todos foram baptisados na egreja de S. Salvador de Ilhavo, a cuja parochia pertence a Vista Alegre.

D. Theodora de Castro Moura Manoel falleceu em 1767, sendo sepultada na capella de Nossa Senhora da Penha de França, quaes porém as suas disposições testamentárias se as deixou, são desconhecidas.

O testamenteiro do dr. Manoel Furtado Botelho, o padre licenciado Domingos Ferreira da Graça, para quem devia passar o usufructo da herança que aquelle havia deixado a D. Theodora de Castro Moura Manoel, sobreviveu ainda a esta, pois só falleceu em 7 de maio de 1772, mas se elle usufruiu ou não a herança é que é ponto muito duvidoso, sendo certo porém que tal herança por venda ficticia ou por outro qualquer meio, nunca chegou a pertencer á fabrica da capella de Nossa Senhora da Penha de França, pois passou para o capitão Manoel Alvares Brandão e d'este para seus filhos, um dos quaes Alexandre de Castro Brandão, que foi capitão-mór de Cantanhede, vendeu em 1815 a quinta e capella da Vista Alegre ao snr. José Ferreira Pinto Basto.

Esboçamos a historia da Vista Alegre, agora resta-nos reunir aqui alguns apontamentos biographicos do fundador da capella de Nossa Senhora da Penha de França e fazer uma descripção ainda que rapida da mesma capella.

D. Manoel de Moura Manoel nasceu em Serpa,{10} sendo seus paes, Lopo Alvares de Moura e D. Maria de Castro. Filho segundo d'uma casa vinculada como era a sua, e não querendo seguir a carreira das armas, abraçou a que lhe restava, segundo o seu nascimento—a ecclesiastica. Seguindo os estudos superiores na Universidade de Coimbra, doutorou-se em Canones, e na qualidade de oppositor a uma das cadeiras d'esta faculdade, foi eleito collegial do Real Collegio de Paulo em 28 de julho de 1638, sendo reitor do mesmo o dr. Ambrosio Trigueiros Semmedo.

Em 17 de dezembro de 1660 foi nomeado conego doutoral da Sé de Lamego, d'onde passou para a de Braga por promoção que obteve no 1.º de maio de 1666.

Nomeado deputado da Inquisição de Évora passou para Inquisidor da de Coimbra em 13 de outubro de 1663, e a deputado do Conselho Geral do Santo Officio em 13 de abril de 1674.

Eleito em lista triplice para reitor da Universidade, foi provido n'este logar por el-rei D. Pedro II, em 23 de agosto de 1683, que o nomeou por essa occasião sumilher da cortina. Havendo prestado juramento em 16 de novembro daquelle anno, governou a Universidade até o 1.º de fevereiro de 1690 em que foi eleito o seu successor D. Nuno da Silva Telles.

Durante o seu reitorado residiu por differentes vezes em Lisboa, principalmente nos annos de 1688 e 1689.