Escolhido para bispo de Miranda em 28 de abril de 1689, foi sagrado em outubro do mesmo anno na egreja parochial de Nossa Senhora dos Anjos de Lisboa, pelo cardeal D. Verissimo de Lencastre, sendo{11} assistentes D. Fr. Luiz da Silva, bispo da Guarda, e D. Simão da Gama, bispo do Algarve.
Fazendo jornada para as Caldas de S. Pedro do Sul, adoeceu gravemente nos Ferreiros, proximo a Vizeu, e ahi falleceu em 7 de setembro de 1699. Durante a doença foi-lhe enfermeiro sollicito o bispo d'aquella diocese, D. Jeronimo Soares, que assistiu tambem ao seu funeral e ordenou que fosse sepultado na capella-mór da egreja d'aquella freguezia, d'onde as suas cinzas foram trasladadas para a Vista Alegre em 1706.
Ignora-se o anno em que D. Manoel de Moura Manoel mandou edificar a capella de Nossa Senhora da Penha de França, mas ainda assim parece não haver duvida que foi já depois de estar bispo em Miranda.
É de bello aspecto a frontaria do templo, avistando-se a algumas leguas de distancia os corucheus das suas duas torres. O interior não é menos elegante. As paredes do corpo da capella são forradas d'alto a baixo de bons azulejos, todos coevos da sua fundação—fins do seculo XVII,—é a aboboda ornatada de boas pinturas a fresco. Tem dois altares lateraes de boa talha dourada, dedicados ambos á Virgem, sob a invocação do Rosario e da Conceição. O retabulo e altar da capella-mór são trabalhos primorosos em fino marmore de Italia.
Embebido na parede da mesma capella e do lado da epistola, está o tumulo do fundador, fabricado primorosamente de granito de Ançã.
A urna funerária é sustentada por tres leões de farta juba, que parecem prestes a ser esmagados pelo seu peso.
No centro da urna, levantado em alto relevo, está{12} um escudo oval partido, com as armas dos Mouras Manoeis, tendo por timbre um chapeu episcopal.
Sobre ella está a figura do bispo, de vestes prelaticias, meia deitada, com a mão esquerda sobre o peito e a direita estendida com que a apontar para o Tempo, que está ao fundo sobraçando o panno mortuario que deve cobrir o sarcophago.
A execução é primorosa, conhecendo-se até nos mais pequenos lavores o primor do cinzel que o trabalhou.
O povo rude das aldeias visinhas, acredita que tal obra não podia ser executada por mãos de homens, e por isso attribue-a ao diabo, creando uma lenda que o snr. Brito Aranha reproduziu já no seu bello livro Memorias historico-estatisticas de algumas villas e povoações de Portugal.