Dos resultados obtidos por Bartholomeu da Costa para o fabrico da porcelana, são hoje apenas conhecidas uma medalha representando em relevo a estatua equestre do Terreiro do Paço, e uns camafeus com o busto de D. Maria I. Tanto aquella, como estes, são copias de medalhas abertas em 1775, por um dos nossos mais notaveis gravadores e illustre filho d'Aveiro—João de Figueiredo.

Depois d'estas tentativas para obter uma verdadeira porcelana outras se fizeram em Coimbra, mas sem melhor, ou nem mesmo igual, resultado, até que o snr. José Ferreira Pinto Basto, estabeleceu um pequeno laboratorio chimico no jardim do seu palacio do largo das Duas Egrejas em Lisboa, isto em 1820 ou 1822, afim de descobrir barros com os requisitos necessarios para fabricar porcelana.

Parece que quem incutiu no animo esclarecido{23} d'aquelle benemerito patriota esta ideia foi o general José Pedro Celestino Soares, que possuia alguns dos produtos obtidos por Bartholomeu da Costa.

Foram, segundo consta, pouco animadores os resultados agora obtidos pelo snr. José Ferreira Pinto Basto, mas como o seu animo emprehendedor não tolerava peias nem tão pouco afrouxava perante qualquer contrariedade fosse ella qual fosse, resolveu proseguir as experiencias iniciadas, fundando desde logo uma grande fabrica.

O local aprazado foi Aveiro, e isto por a tradicção indicar como sendo d'aqui o barro de que Bartholomeu da Costa obteve a sua chamada porcelana.

Apesar de possuir as duas magnificas propriedades da Ermida e da Vista Alegre, o snr. José Ferreira Pinto Basto, quiz estabelecer a nova fabrica na propria cidade, e para isso entabolou negociações com o proprietario da Quinta dos Santos Martyres, para a adquirir, o que não poude conseguir por esta propriedade fazer parte de um antigo vinculo. Attenta esta difficuldade, resolveu então estabelecer a fabrica na Vista Alegre, para o que se principiaram a fazer ali differentes edificações.

Foi em janeiro de 1824, que principiaram os trabalhos para a fabrica, a que veio presidir um dos filhos do fundador, o snr. Augusto Ferreira Pinto Basto.

Uma das obras que primeiro se concluiu foi um pequeno forno para cozer louça, feito segundo as indicações e immediata direcção de Domingos Raimão, oleiro d'uma fabrica de Coimbra.

Em abril fizeram-se as primeiras experiencias para obter a porcelana. Realisou-as Bento Fernandes, mestre de olaria na fabrica de Rato, com o barro de Util,{24} concelho de Cantanhede,—e o de Talhadella, do concelho de Albergaria a Velha. Foi pouco satisfatorio o resultado obtido, mas ainda assim a ideia da fundação da fabrica não soffreu quebra de sorte que o snr. José Ferreira Pinto Basto pediu a El-Rei D. João VI para que lhe fossem concedidos os privilegios de que gosava a fabrica de vidros da Marinha Grande, o que obteve como consta dos documentos que segue:

«D. João, por graça de Deus, rei do reino unido de Portugal, Brazil e Algarves, d'aquem e d'além mar em Africa, Senhor de Guiné, etc., etc.