Dos restantes foliões um toca tambor, e pandeiros os outros.
Seguem-se dois renques de irmãos, todos com varas brancas e precedidos pelo estandarte de seda branca, em que ha adornos semelhantes áquelles, porém executados com mais alguma arte.
Dois artistas da mesma força deviam ser com certeza os esculptores das pombas, que encimam tanto a haste da bandeira como a do estandarte. Eu chamei pombas aos animaes alli figurados, mas creio que o mais notavel dos zoologos se daria a perros, tendo de classifical-os.
Agora a parte mais interessante do cortejo—para mim, pelo menos—constituida pelo beijinho das raparigas bonitas do logar, umas com vellas accesas, outras espargindo flores, e quatro formando com varas brancas um quadrado, dentro do qual ia a imperatriz, com a corôa nas mãos, e de cada lado sua moçoila, uma com o sceptro e a outra com a salva de prata.
Depois da imperatriz, o imperador. O João Terra coroava pelo João Furtado, e certo de que augmentava com isto o brilho á festa, avançava a passos tão regrados e magestosos, como ... o seu collega Carlos Magno entrando na cathedral de Aix-la-Chapelle. Para ser completamente feliz só lhe faltava uma coisa: que a casaca lhe não apertasse nos sovacos, e a bota de lustro no peito do pé.
Fechavam o acompanhamento os cantores da matriz, a philarmonica e um magote de povo.
Em quanto o cortejo ia enchendo a casa do João Furtado, recrudescia a foguetada e as bombas rebentavam continuamente.
Chega a imperatriz em frente do altar, desfaz-se o quadrado, cujas varas, juntamente com a dos irmãos, são guardadas n’uma comprida caixa para isso destinada.
Desde que entrou, a corôa servia de alvo a confeitos dourados e de varias côres e a raminhos, cujas flores eram tambem confeitos montados em arames.
A Maria colloca-a no centro do altar, e logo os foliões, que estavam em frente alinhados n’uma fileira, entoam a conhecida copla: