Na sala da folga entram muito galhofeiros, com a sobranceria de quem se julga n’um meio que não o merece, o Ricardinho Terra, o Luiz de Carvalho e mais dois rapazes da Horta, isto é quatro estudantes, como os appellidam por despreso os moços do campo, que em troca recebem o qualificativo de diamantes, não menos desdenhoso na intenção do seu ignorado inventor.

Se a presença dos recemchegados desagradou a todos os rapazes do sitio, que se apinhavam á porta e no terreiro, e que nos bicos dos pés olhavam a custo para o interior da casa, ao José encheu de verdadeira furia.

D’aqui por diante não mais perdeu de vista o menino Ricardo.

Mas ninguem pensava n’elle, que iam principiar as danças e já se ouvia o mestre da viola, o Joaquim Machado, na cosinha, onde tinha acabado de ceiar, afinando o instrumento demoradamente, a preceito, sem dar importancia ás impaciencias dos que anceavam por bailar.

No seculo tinha posição humilde—era sapateiro—mas n’uma folga hombreava em valimento com o proprio imperador. É que sem elle não se brincava.

Apesar d’isto, o João Furtado, fazendo-se interprete dos desejos geraes, disse-lhe da porta da sala, em voz muito alta.

—O’ Joaquim Machado, pega-me n’essa viola e salta cá para fóra!

—Já se vae! Já se vae! retorquiu o outro, sem se apressar. É preciso pol-a nos pontos!

D’ahi a pouco appareceu á porta, e conscio da importancia inherente ao seu cargo, foi sentar-se junto ao altar.

Tiravam-se pares.