O João Terra escolheu a Maria, ao tempo que um diamante perguntava a esta: «A menina quer brincar commigo?». Desvanecida porque ia dançar com um senhor da villa, a quem de mais a mais lavava a roupa, a filha do João Furtado nem sequer deu resposta ao pretendente plebeu.
Outros pares se iam formando, levadas as raparigas com espalhafato para o meio da casa, mas ficando cada cavalheiro a respeito da sua dama como se fossem vis-à-vis de contradança franceza, e assim formando-se de cada lado uma fileira, em que os homens se alternavam com as mulheres. Dois pares consecutivos constituem uma chama-rita e só com elles se pode já executar a dança.
O dono da casa excitava os renitentes, batendo as palmas e bradando:
—Chega a pares! Chega a pares! Ao terreiro!
Como não principiava a musica, o Ricardinho, que ia dançar com uma das senhoras mas que não cessava de olhar para a Maria, disse com o entono de quem quer ser promptamente obedecido:
—Então essa viola não fica afinada por uma vez?
O Joaquim Machado sem se desconcertar, mirou-o altivamente e mastigou como por de mais:
—Está-se tratando sobre esse mesmo objecto.[4]
Quando o tocador muito bem quiz, rompeu a musica e com ella a chama-rita. Os dançantes, ao mesmo tempo que acompanhavam a viola dando estalos com os dedos, bamboleavam-se, saracoteavam-se para a direita e para a esquerda, e faziam passinhos de dança n’um e n’outro sentido, avançando e recuando um pouco, para tornarem sempre ao mesmo sitio.
Um camponio ou homem do monte, que era par da dona da casa, cantou: