Ao romper da bella airola[5]
Sae o pastor da gaivana[6]
Gritando em altas vózeas
Muito padece quem ama.
Chama Rita, chama Rosa,
Chama Rita tão formosa!
Quando o cantador principiava a repetir estes dois ultimos versos á laia de estribilho, cada homem, estalando sempre com os dedos e bamboleando-se, recuou seguido pela sua dama, que voltada para elle e com os mesmos ademanes, parecia attrahida pelo chamamento.—D’isto, naturalmente, é que a dança tirou o nome.—Chegadas as duas mulheres de uma mesma chama-rita a altura em que podiam, costas com costas, trocar a posição, effectuaram a mudança, recuando seguidas agora pelos seus pares, até que todos entraram no alinhamento primitivo, mas em ordem inversa. N’esta occasião cada homem fez em relação á dama do outro par da sua chama-rita, um movimento analogo ao que o sr. Justino Soares—valha-me o abalisado choreographo!—chamaria «balancé au côté», se desejasse indical-o aos seus discipulos da arte de Terpsychore.
Succederam-se os versos engendrados pela musa popular. O mestre da viola, com um vozeirão de baixo profundo, garganteou:
Coração acima, acima,
Se não podes correr anda.