O mestre da viola, tocando sempre, retorquiu, com guelas de estentor:
Oh! Sapateia, meu bem!
Oh! Sapateia, faz arco!
Diga o mundo o que disser,
Já d’aqui me não aparto!
Ao primeiro verso, a fileira do lado do Joaquim Machado voltou-se para a direita e a opposta para a esquerda, e cada dançante, com excepção d’aquelle, deu a mão ao seu par e levantou o braço, formando-se assim uma especie de abobada. O tocador e a dama respectiva passaram então sob o arco formado pelo par mais proximo, contornaram o par seguinte, mas pelo lado exterior, e foram passar por baixo do arco do terceiro par, e assim successivamente. O segundo par executou eguaes movimentos, logo que deu passagem ao mestre da viola, e todos os mais foram fazendo o mesmo, com uma regularidade tamanha, que o proprio vigario applaudiu enthusiasmado.
As danças succederam ás danças, e os pares succederam aos pares, não porque alguem desse parte de fraco, mas porque era preciso contentar a todos os que tambem queriam brincar o seu boccadinho.
* * * * *
Era noite velha e ainda a folga não tinha acabado.
As tres senhoras voltaram para a cidade n’uma carruagem, alugada para as levar e trazer; João Terra veiu no seu burrinho, e os quatro rapazes a pé, visto não ser grande a distancia dos Flamengos á Horta, e a noite estar fresca.