Não havia luar, mas as estrellas palpitavam com vivo clarão no fundo negro do ceo, tão limpo de humidade que nem lembrava ceo dos Açores.

O Ricardinho na frente com o Luiz Carvalho, aturava-lhe os remoques, visto que o outro, não tendo podido n’aquella noite justificar a sua fama de conquistador, se desforrava com o amigo.

Mettido no vão de uma porta, para onde correra logo que os viu partir, o José ouviu-lhes a conversa, sem que nenhum dos quatro o presentisse:

—Grande brejeiro, dizia o Carvalho. Quizeste ser imperador sem ter coroado!

—Fala claro, que não te entendo, voltou-lhe o Ricardinho.

—Talvez não arrastasses a aza á imperatriz? Parabens, que a pequena é de estalo! Mas o mais certo é não fazeres vaza. A Maria é muito capaz de judiar comtigo uns poucos de mezes, e deixar-te no fim a chuchar no dedo.

—O futuro a Deus pertence.

—Pois ella é que nunca te ha de pertencer!

O Ricardo Terra estacou, mesmo á ilharga da porta onde estava o José, e disse com a prosapia inconsciente dos seus vinte annos:

—Queres tu apostar em como antes de um mez a tenho no meu rol?