Não levou um credo para chegar a casa da filha e como a apanhou sósinha, disparou-lhe tudo á queima roupa. Uma de duas: ou conseguia atrapalhal-a e apanhar-lhe a confissão da culpa, ou, se fosse tudo mentira, a indignação havia de patentear bem clara a innocencia.
A mulher do veterano encarou com a mãe, e disse pausadamente estas palavras, cujo effeito foi observando:
—Sim, senhora, é verdade o que lhe disseram. Fiz isso, porque não posso aturar meu marido, e porque só do Luiz é que eu gosto e hei de gostar sempre.
A Isabel cahiu sentada para cima de uma arca, e rompeu n’um grande choro, arrepellando-se, dizendo mal á sua vida.
—Cuidado, minha mãe! Olhe que se meu marido entrasse agora por ahi dentro, a desgraça ainda havia de ser maior.
—Lá isso era, porque descobria toda a verdade, e ... Deus te livrasse!...
—É o que pode fazer com esses alaridos.
—Ubei! Permitta Deus que elle nunca desconfie!... Ora a minha desgraça!... Mas o que eu não quero,—fica sabendo!—é que me tornes a olhar para aquelle bonecro de engonços! Ha de ser isto assim, ou sou eu mesma que prego a ambos uma boa lição, com estas mãos que Deus Nosso Senhor me deu!
—Mau! Já vejo que não temos nada feito, disse a Rosa, afastando-se da mãe. Se as suas tenções são essas, o melhor é ir já, já ter com o Jorge e declarar-lhe tudo. Ande! Vá! Assim ao menos deixo de penar por uma vez!
—O’ rapariga, o que estás tu a dizer?