Nunca tinha imaginado poder tornar-se o alvo da attenção de tanta gente, e, se não fosse uma vergonha, fugiria d’alli, a bom correr.

Agora é que deveras se arrependia de ter acceitado a grinalda e o veo á menina Elvira, filha do capitão da segunda companhia de caçadores 10, que estava casada, desde o mez anterior, com o tenente Aurelio Joaquim, ajudante da praça. Se tivesse trazido como tencionava, o seu lenço de seda de barras azues, não daria tanto nas vistas. Era tambem esta a vontade do Jorge, porém a Isabel insistira pelo veo, proclamando-o «coisa muito mais fina».

O cortejo rompeu atravez da multidão, direito ao altar, onde havia de effectuar-se a ceremonia.

Notaram alguns dos presentes, e antes de todos a Luiza Braga, que a Rosa tinha córado mais ainda, e estremecido levemente, ao dar com os olhos no sargento Luiz, que, muito apertado na fardeta côr de pinhão, se bamboleava, com ar de escarneo, na primeira fila dos curiosos.

—Nem aqui mesmo a deixa! Já é pouca vergonha! murmurou a Luiza ao ouvido da Josepha Julia.

—Elles lá se entendem, regougou esta ultima, e concluiu, suspirando: «Tal desgraça!»

Entretanto o padre capellão ia tartamudeando as palavras sacramentaes, e o sargento Luiz muito satisfeito de si cofiava o farto bigode louro.

—Olhem! Lá está o sr. governador! murmurou a Luiza Braga para as mulheres que a rodeavam.

O coronel Jeronymo Cardoso acabava effectivamente de surgir a uma porta lateral da capella e deitava olhares perscrutadores para os noivos, sem comtudo esquecer as dores cruciantes, que lhe impunham os terriveis joanetes.

A Isabel tinha querido que o Jorge o convidasse para padrinho, e chegara até a sondar sua incellencia com exito razoavel, mas o veterano puzéra os pés á parede, e a despeito de uma formal reprimenda da futura sogra, insistiu em escolher o José Maria, seu camarada desde o cerco do Porto, que lá estava na egreja á ilharga do amigo, tentando aprumar quanto possivel o corpo já muito derreado pelos janeiros.