Deparou-se-me o ensejo n’aquella mesma tarde.

Achavamo-nos os dois no extremo do mirante sobre o Caminho do Monte, vendo os romeiros que voltavam de festejar a Senhora de agosto.

Os mais não podiam ouvir-nos, entretidos como estavam por um dos espectaculos mais pittorescos dos costumes populares madeirenses. O som dos machetinhos de Braga, machetes de rajão e violas francezas, e o sussurro dos descantes e falatorio dos romeiros abafariam alguma palavra que me escapasse em voz mais alta.

Depois de lhe disparar uma declaração, fiz-lhe não sei quantas recriminações, pelo que me tinha feito soffrer durante o jantar.

A Georgina escutou-me cheia de pasmo, desviou-se um pouco, e medindo-me dos bicos dos pés até á cabeça, disse-me com um supremo desdem:

—O menino endoideceu! Não sabe que é ainda um fedelho e que eu já sou uma senhora! Isso ha de ser somno, por força. O que o Luizinho deve fazer, é pedir á sua mamã que o metta mais cedo na cama!

Fulo de raiva, ia dizer-lhe uma insolencia, quando se approximaram de nós a mãe d’ella e a minha.

* * * * *

D’alli a dois mezes casava a Georgina com o escrivão de fazenda, e d’alli a dois annos ... estava eu vingado.