Effectivamente era o annuncio de que já se avistava a barca.

—Com este vento, a Alegria do Mar não dá fundo antes d’essas quatro horas, opinou o mesmo barqueiro.

—Ou das cinco, resmungou outro.

Como lhe sobrava tempo, o Manuel João foi comer alguma coisa a casa de um primo, que tinha botequim defronte do mercado.

* * * * *

A barca deitou ferro á tardinha.

Acossadas pelo vento sueste, pelo carpinteiro, as vagas batiam com força recrescente na muralha da cidade e espadanavam com violencia, ou formavam grandes rolos na areia. Saltando a cada instante para o caes, a agua varria-o, de lado a lado, para logo se despenhar em abundante cascata. Ás vezes, do meio do tapete espumoso apenas emergia, como ilha exotica, o guindaste de ferro, muito luzidio com os banhos consecutivos.

Á cautela, os barcos varados no caes tinham sido puxados para a rampa superior.

Tanto que a Alegria do mar fundeou, appareceu, do lado do castello, o capitão do porto, seguido do patrão-mór, ambos embrulhados em gabões impermeaveis. Só ao chegarem á porta da barraca da alfandega, é que viram ser impossivel a execução do serviço.

—A minha pena, disse o official de marinha, é não ter mandado vir para terra as tripulações dos navios, que já cá estavam. O barometro desceu tanto!...