—Foi ... balbuciou a pequenina.
—A cara é de reu, continuou Fernando, apontando para o gato, que Francisco segurava pelas quatro patas. Os dignos jurados entendem que o Moleque deve soffrer a pena de talião?
—Sim, respondemos com voz soturna.
—Condemno, pois, o Moleque a perder a vida por degolação, sentenceou Fernando.
—O quê, papae? perguntou a Lili afflicta e sem perceber bem.
—Ó Maria, traz o que o Francisco lhe recommendou?
—Está aqui, disse a cosinheira, passando para a frente a mão direita e apresentando uma grande faca de cosinha, afiada e luzidia.
—Pois então, corte o pescoço ao gato!
Ainda não esqueci o grito da creança. N’um choro fortissimo correu para o creado, e arrancou-lhe das mãos o gato, que fugiu espavorido. Depois, approximando-se do pae, disse-lhe:
—Fui eu, papae, fui eu que comi a lampreia. Mande cortar a cabeça da menina!