—A modos que sim, senhor. A dôr de dentro não o larga. Se não foi isto o que a Rosa me disse, abram-me a cabeça com um calhau!

O soldado continuava a praguejar, em quanto o capitão, sem interromper o passeio, se recordava do que lhe tinha acontecido, havia já um bom par de annos, estando elle no Porto, em sargento do 18. Chegou-lhe de Braga uma carta, participando-lhe que a mãe se achava em perigo de vida. Pediu licença immediatamente, mas como a ordem tardasse em vir do quartel general, quando chegou a casa, já a sua velhinha estava enterrada.

—Pode acontecer o mesmo a este pobre diabo, pensava o capitão. Por fim, decidindo-se, parou, tirou o cachimbo da bocca e disse com muita intimativa ao soldado:

—Pois muito bem! Vocemecê vae hoje para a sua terra... É verdade! Não entras de serviço amanhã?

—Entro de fachina, mas o 12, que é meu camarada e está de nada, fica por mim, se V. S.a der licença.

—N’esse caso vae e volta ámanhã á noite, antes do toque.

A cara do 72 alegrou-se, sem comtudo se desannuviar completamente.

—Se V. S.a me deixasse, eu voltava na segunda feira.

—É isto! Querem logo tudo! Bom! Voltas depois de amanhã, antes do rancho. Serve-te?