—Ás Féteiras? Tira o cavallo da chuva! Porque não pediste a licença antes do toque da ordem? Não sabes que o batalhão tem pouca força, e que é preciso fazer escolha nas praças que pedem para ir no domingo á terra?
—Saiba V. S.a que sei, mas áquella hora ainda não me haveram dito nada, e como faz hoje oito dias que eu tive licença...
—Sabias que não a apanhávas.
—Mas agora, se V. S.a me fizesse essa esmola... O pobre do velho está, vae não vae, a ir para Nosso Senhor, e eu sem lhe poder valer!... A voz do soldado, entrecortada novamente pelos soluços, pronunciou mais algumas palavras inintelligiveis.
O capitão, meio zangado, meio condoido, passeiava pelo quarto, com o cachimbo a um canto da bocca, e as mãos mettidas nos amplos bolsos das calças de cutim. O 72, cabisbaixo, seguia-lhe os movimentos com um olhar obliquo e prescrutador.
—Dar-se-ha o caso de que tu estejas a embaçar-me, grande maroto? perguntou de subito o official, fitando muito o soldado.
—Eu! disse este, cheio de susto. Se minto, mais negro seja que o carvão!
—Eu sei lá! Vocês todos são frescos. Quem me déra para cá os meus trinta e cinco annos de serviço, para me livrar da maldita massada de atural-os! Mentiste ou não mentiste?
—Isto é que se chama! Pergunte o meu capitão á Rosa.
—Teu pae, então, está a morrer?