—Elle é verdade meu capitão, mas é que ás vezes assuccede a um home cada uma...

—Ou te explicas, ou marchas n’um prompto para a caserna! disse o capitão, com voz irritada. Levantou-se, poz o bonnet na cabeça, puxou o collete para a cintura, mettendo para baixo do cóz das calças a dobra da camisa que estava saliente, e abotoou o raglan, inferiormente ao qual appareciam as borlas da banda, distinctivo usado no batalhão pelos officiaes de serviço.

—Saiba V. S.a, meu capitão—começou o 72, dando com as mãos muitas voltas ao bonnet,—que esta tarde, antes do rancho, eu tinha ido alli abaixo, ao largo da Matriz...

—Que tenho eu com isso?

—E vae d’ahi, topei com a Rosa, uma rapariga da minha freguezia, e ... o que me ha de ella dizer? Que hontem á noitinha, quando meu pae ia recolhendo ás Féteiras...

—Tu és das Féteiras? Aquelle logar que fica no caminho para as Sete Cidades?

—Saiba V. S.a que sim... Ao descer uma canadinha, escorregou dos pés e foi-se abaixo, batendo com o corpo nos calhaus. O pobre do hóme é velho e d’ahi a quéda deu-lhe uma volta ao interior. Parece que está mesmo a decidir.

Estas ultimas palavras foram acompanhadas por um choro meio suffocado.

—Bem! E que queres tu então? perguntou o official, com menos rispidez.

—Se V. S.a me desse licença, eu pegava em mim e ia vêl-o.