—Que temos? perguntou uma voz encatarroada.
—V. S.a dá licença, meu capitão?
—Entre quem é.
—Sou eu, meu capitão ... disse o 72, entrando e tirando o bonnet com um movimento rapido e desgeitoso, mal viu o official de cabeça descoberta.
No quarto de inspecção, pequeno e acanhado, havia um forte cheiro a comida e a fumo de tabaco.
O capitão, sentado n’uma cadeira de palhinha, tosca e despolida, tinha os cotovellos encostados á mesa e lia um jornal de Ponta Delgada, o Echo Michaelense, tomando a espaços longas fumaças de um cachimbo de escuma, muito queimado.
Com os calcanhares unidos, os olhos um pouco esgazeados, os beiços n’um ligeiro tremor, o soldado não se atrevia a falar.
—Que demonio queres tu? perguntou-lhe o capitão Saraiva, ao cabo de algum tempo e sem interromper a leitura.
—Eu, meu capitão? Saiba V. S.a que me custa muito vir incommodar a V. S.a...
—Mau! Despacha-te! Nunca vocês sabem dizer as cousas por claro. Que diabo de gente, estes ilheus! E batendo com a mão sobre o jornal, voltou a cabeça para o soldado, medindo-o com o olhar.