—Não faz moléste, meu capitão.

—Bom, vae-te embora e dize ao sargento que tens licença.

—Sim, senhor, meu capitão.

E saiu.

O rosto brilhava-lhe de alegria. N’um abrir e fechar de olhos, foi á caserna, despiu a fardeta, vestiu um casaco á paizana, que já tinha antes de sentar praça e descalçou-se. D’ahi a pouco estava fóra do quartel, e descia apressadamente a rua de S. João, receioso de que ainda lhe tirassem a licença. Acompanhava-o a competente vardasquinha, isto é, um valente bordão capaz de matar um homem. Dez minutos mais tarde saía de Ponta Delgada, pelo lado occidental.

Quando deixou de encontrar gente, e viu diante de si a estrada quasi deserta, bordejada por paredes caiadas de branco, algumas encimadas pelas comas do arvoredo, parou por instantes, e poz-se a rir maliciosamente:

—Tinha embaçado o capitão!

O pae estava tão doente, como elle. Pelo menos, ainda no ultimo domingo o tinha deixado na freguezia, são e escorreito.

—Fiou-se no que eu lhe disse! pensou. Queira Deus não venha a descobrir! O que me vale é não haver lá na companhia mais rapazes das Féteiras.

Foi andando.