—Por fim de contas não era coisa ruim o que tinha feito. No dia seguinte festejava-se o Espirito Santo, na freguezia. Havia imperio e bôdo. Faltar, era até um peccado! Se falasse verdade, não lhe davam licença. Por ter dito que o pae adoecera, não o fazia ir para a cama. O velho estava ainda esperto e rijo. Podia caír á vontade, que não morria ás primeiras. Tinha hombros largos, pescoço curto, e a cara, embora um pouco enrugada, estava sempre vermelha, que se podia ver. Mettia no canto a muitos rapazes, o ti Jaquim.
O Roque avançava que era uma maravilha!
A estrada ia mudando de aspecto. Á direita extendiam-se largas campinas escuras, subindo gradualmente até acabarem nas collinas, que limitam o horisonte; á esquerda começa a ribanceira, cujo sopé vae terminar na costa meridional de S. Miguel em declives abruptos. De cá de cima, em alguns pontos, avistam-se grandes extensões da praia, que offerece ao mar uma larga concavidade, onde se desenrola um vasto lençol de espuma.
Para o lado da cidade vinha um cantoneiro.
—Haja saude, tio João de Mideiros.
—Haja saude, Roque. Vaes a casa?
—Vou. Esteve lá em baixo hoje?
—Não. Quem para lá voltou agora, foi o sr. dr. Luiz, que já vinha a caminho da cidade.
—Voltou? Para quê?
—Para acudir a um homem, que teve uma coisa esta tarde. Veiu um rapaz, o José, chamal-o de galão ... montado, por signal, n’um burro.