Annuindo ao convite para tomar parte do sarau litterario do dia 8 de maio, recitei a poesia que vai lêr-se, e vós applaudindo-a indulgentemente, desejastes possuil-a.

Publicando hoje essa modesta composição, satisfaço o vosso desejo e cumpro um dever, prestando a minha singella homenagem ao Richelieu portuguez, ao nosso maior vulto politico do seculo passado.

Guilherme d'Azevedo—o distincto e chorado escriptor, esse astro de primeira grandeza ha pouco eclypsado no ceu da nossa litteratura, disse do Epico:

«A verdadeira homenagem a Camões ou se paga com uma epopeia ou com um ponto de admiração!

«Julgo preferivel que o meu humilde nome subscreva antes esta segunda prova de respeito. Terá feito uma obra mais duradoura, e, sobretudo, muito mais incontestavel!»

Eu, plagiando aquella phrase tão conceituosa, direi o mesmo de Pombal. Um ponto de admiração seria uma homenagem mais duradoura e incontestavel do que esse punhado de alexandrinos, que, ousadamente, vou sugeitar ao bisturi da critica.

Que ella leve ao menos em conta a humildade do meu nome, que ha pouco tempo ainda firma, nas columnas ignoradas de jornaes de provincia e nas paginas dos almanachs, umas quadras massudas de um lyrismo piégas.

Valença—Maio—1882.

A. M.

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