Em vez de edificar escholas e hospitaes,
Surgiam contrucções athleticas, brutaes,
Que erguiam ao Azul, ao seio do Infinito,
As torres collossaes, gigantes de granito.
IV
Pombal surgiu, emfim, e encetou a lucta,
Heroica, gigantesca, audaz e resoluta,
Que havia de firmar a nossa autonomia,
E á Europa mostrar que era chegado o dia
Em que, aniquillada a negra Reacção,
O velho Portugal tornava a ser Nação.
A Industria floresceu e a Arte resurgiu;
O commercio acordou; de novo se cobriu
A vastidão do mar do nosso pavilhão,
Que ia transplantar a Civilisação
E levar aos confins de todo esse Universo
O nome Portuguez, extincto e submerso!
Depois, deixando assim firmado com ardencia
O acrisolado amor da nossa independencia,
Esse homem genial, espirito gigante,
Lançou o seu olhar ainda mais distante:
Reformou a Instrucção—o foco da Verdade
Que póde approximar o Genio á Divindade.
Um dia—horrivel dia!—um rude cataclysmo
Lançou uma cidade ao seio do abysmo.
D'essa terra gentil, que se chamou Lisboa,
Só restava um montão que fuma e se esborôa!..
Pouco tempo depois erguia-se imponente
A nova capital, mais bella e mais ridente…
Calêmos-nos agora!.. Ha-de-se admirar!..
Porque a nossa razão não sabe explicar
Gomo é que um braço sò podesse, sem canceira,
Alevantar do pó uma cidade inteira!
V
Injusta muita vez, a Critica, ingloria,
Quer negar-lhe um logar no pantheon da Historia,
Chamando-lhe cruel, carrasco de mil vidas,
A elle, que remiu as raças opprimidas,
Que deu à escravidão a carta de alforria,
Apontando ao Porvir da Liberdade o dia!