Obrigado, Laura! Sabe lá o bem que me fez com o que acaba de confessar-me?! Tambem eu estou orfão de parentes e mais orfão ainda de crenças n'essa pervertida sociedade onde as minhas dragonas me dão entrada… Sonhei muitas vezes com a felicidade ao seu lado, Laura, mas temia de encontral-a suspeitósa das minhas intenções… Obrigado por me abrir o céu com as suas palavras… Attenda bem ao que lhe digo: estou a tocar nos quarenta annos. Esta idade, não deixa nutrir illusoes, mas ainda póde conservar bem vivo o coração… o meu—juro-lh'o sob palavra de cavalheiro—tem o mesmo calor dos vinte annos… Não posso, nem sei dizer-lhe mais… Peço-lhe pela memoria de sua mãe, que me diga com toda a força da sua convicção se não repugna á sua mocidade a juncção com a minha quasi velhice…

Laura (abraçando-o):

Repugnar-me, Alfredo?!!… (como que admirada da sua audacia, retirando os braços vagarosamente, etc.); Perdão, sr. tenente… O meu contentamento deu-me audacia, que ha uma hora julgaria loucura…

Alfredo (beijando-a na testa):

O amor nunca é audaz, minha querida Laura, é um sentimento nobilissimo, que faz desapparecer todas as distancias… (jubilôso): Seremos felizes, muito felizes!… Havemos de causar inveja aos mais felizes da terra!… Hei de…

SCENA XI

OS MESMOS, E JOÃO

João (terrivel de raiva concentrada):

Casar á franceza… não é verdade, meu tenente?!… (os dous separam-se, e João occupa o centro da scena, etc.):

Alfredo