--Socegue, que a dissimulação é a mais forte defeza das mulheres.
--Mas, minha filha, o snr. padre Alvaro diz bem... Tu não deves querer o que Deus não quer...
--Perdão, minha santa mãe.....Se não deseja vêr sua filha morta pela dôr, e pela saudade, deixe-a dar largas á sua gratidão...
Tres dias depois de ter logar o enterro, chegava áquelle formoso e triste domicilio, o velho fidalgo Sebastião da Mesquita, já sabedor pela voz publica, que se antecipára á parte dada pela familia, da morte de D. Anna e da loucura de Leopoldo.
III
BRIOS DE RAÇA
«Se de imitar meu nome te gloreias,
As façanhas me imita,
Ou na Patria Nação, ou nas alheias,
O meu valor te incita:
Ségue os meus passos, segue a meu exemplo,
Se morar quéres, n'este honrado templo.»
(Filinto Elysio.)
Decorreu um mez, após a chegada do velho fidalgo ao palacio de Leopoldo.
Sebastião da Mesquita, já bastante alquebrado, e mal convalescido, cahira de novo na cama, muito magoado com a morte de D. Anna, e com a loucura do marido. Tornou-se grave o seu padecimento, que dava sérios cuidados ao seu assistente. Mais do que á sciencia, aos desvelos de sua esposa D. Isabel d'Abendanho, que passava dias e noites á cabeceira do enfermo, deveu o velho fidalgo as leves melhoras que sentia.
D. Maria da Gloria, toda entregue ao seu pensamento dominante, procurava fazer recuperar o juiso a Leopoldo. Consultara todos os medicos que visitaram seu pae, e ouvira d'elles opiniões de que os muitos cuidados e carinhos empregados com o louco e, mais tarde, algumas impressões violentas, poderiam, talvez, trazer-lhe a razão.