--Vá reconhecer o inimigo, snr. ajudante... Tenho um plano que nos dará infallivelmente a victoria... É um segredo que só direi a meu filho, por que vae commandar a emboscada... É verdade... peça a meu filho que me não bata... pede?... Eu sou tão amigo d'elle... Coitadinho!... está doido!... diz que lhe matei a mãe, e fustiga-me sem piedade!... Peça-lhe muito, sim?... Vá... vá, que eu espero a resposta no quartel general...

E sahiu com o mesmo vagar com que entrára, deixando as mulheres estupefactas, porque ainda ignoravam o facto da loucura de Leopoldo.

--Este homem está effectivamente louco?!...

--Está, sim, snr.a D. Maria da Gloria...

--Eu julguei, que o snr. padre Alvaro teria combinado com elle o fingir-se demente por algumas horas, para melhor encobrir o seu crime...

--Não, minha senhora, era essa uma calúmnia desnecessaria, e pouco digna. O infeliz perdeu a razão, logo em seguida ao crime. Antes da sua vingança, senhora D. Maria, appareceu o castigo da Providencia...

--É preciso curar-lhe a loucura, e hade curar-se... Empregarei, para conseguil-o, todos os carinhos que dispensaria ao homem idolatrado... Quero vingar a minha querida Anna...

--Desconheço-a, snr.a D. Maria da Gloria!... Pois, que vingança quer V. Exc.a tirar, no estado d'aquelle infeliz?!...

--O snr. padre Alvaro não sabe o que é o coração da mulher de raça quando ama ou quando odeia... O castigo que eu reservo áquelle malvado, se poder conseguir fazel-o recuperar a razão, a mim propria causaria terror, não me dominando a ideia de vingança...

--E não receia, com o seu procedimento, descobrir o crime a seu exc.mo pae?...