(Poesias de Antonio Joaquim de Mesquita e Mello).

Entremos na residencia do reitor de Santo Adrião de Penafiel.

Estamos na sala do oratorio, onde já vimos orar D. Isabel e o velho parocho, por occasião dos raptos, e do incendio, da primeira parte d'esta obra.

Ajoelhado aos pés de Christo, está um vulto de mulher, nova e bella ainda apesar do seu definhamento.

Assentados em um movel de junco de dous logares unidos, com as costas oppostas uma a outra, ficando por isso as pessoas a olharem-se de frente, estão a um canto Rosa e João Vidal ou de Lencastre.

A um lado, escrevendo, está o bondoso reitor.

Trajam todos rigoroso lucto.

Ouviremos o que dizem João e Rosa:

--Quando seccarão as lagrimas nos seus olhos, snr.a D. Rosa?...

--Não ha muito que chóro, meu amigo, e ainda bem que posso chorar... Sou muito mais forte do que me julgam, e do que eu mesma pensava ser... Tenho atravessado de olhos enchutos crises violentas, que nem todos os homens atravessariam de animo frio... Mas saber, na mesma hora, que era filha de um respeitavel cavalheiro, e que meu pae morrera considerando-me perdida... é de mais, bem o conhece!...