«Peço ao meu anjo da guarda,
Se hei-de aqui ficar perdida,
Que vá levar-te por sonhos
Esta minha despedida.»

(V. de Castilho--O acalentar da neta.)

Leopoldo havia recuperado a razão, graças aos cuidados da sua gentil enfermeira. Mal sabia o desgraçado, que novo supplicio lhe destinava a mulher que o salvára da demencia!...

Ouçamol-os:

--Diga-me muitas vezes que não sonho, querida prima, e que não é encantamento, ou uma nova crise da minha loucura, este celeste deslisar da existencia ao seu lado...

--É um facto muito real e verdadeiro, caro primo, que hade ter por desenlace o nosso casamento...

--Não posso crêr em tamanha ventura!...

--Duvída?!... Pois não sabe, que protestei a meu pae de sustentar o seguimento das nobres allianças da minha raça?... Não vê como já me abandono ao seu dominio, separada de minha mãe, que foi para o nosso solar chorar a perda do marido estremecido, e longe de todos que no mundo me são caros?... Duvída?!... Alguma razão tem para duvidar, porque não é com premios taes que se costumam castigar os assassinos...

--Tenha piedade, senhora!...

--Piedade?!... De quem, e porquê?!...