Depois de ter dado o necessario tempo ás largas do contentamento de todos, dirigiu Sebastião da Mesquita a palavra a D. Maria da Gloria, n'estes termos:

--Maria!... Podes continuar a viver na companhia de teus paes?...

--Essa pergunta, meu presadissimo pae e senhor, devia V. Exc.a fazel-a ao meu cadaver...--respondeu com firmeza a nossa heroina.

--Muito obrigado, Maria! Paguem-te estas lagrimas do mais puro amor, a nobreza e honradez da tua resposta!...

Ao passo que o pae assim fallava, cobria a moça fidalga de beijos e caricias maternaes, a respeitavel matrona D. Isabel de Abendanho.

--E tu, Anna, foste da mesma sorte feliz?

A timida interrogada, ficou silenciosa e interdicta...

O velho fidalgo, tomado instantaneamente de uma pallidez assustadora, alçou assim a voz:

--Padre Alvaro! Disponha immediatamente a capella d'esta casa, para uma solemne ceremonia religiosa.--Snr. Arthur Soares, dê busca a todo o edificio e traga-me já aqui o infame possuidor d'este lupanar!--Anna!.. Prepare-se para o mais serio acto da sua vida, com a coragem que lhe faltou para resistir á seducção!...

Apressaram-se todos a cumprirem as ordens dadas, que bem de conhecer era o não admittirem réplicas.