N'esta situação, fôra ouvido ao longe da estrada, que passava em frente do palacio, um extraordinario bulicio.

O pae de D. Maria da Gloria, mandou ao unico official de ordens que alli tinha--a metamorphoseada Rosa--que fosse reconhecer o barulho, e aguardou impaciente a chegada de Arthur Soares.

Caminhavam pela estrada de Vianna, cujo castello acabava de cahir em poder das forças populares, em direcção á praça de Valença, os prisioneiros de guerra, guardados por duzentas praças de linha e cercados de immenso povo, que pedia em altos gritos a morte dos empregados publicos, e de toda a guarnição prisioneira. Arduo trabalho havia tido a força conductora, para salvar até alli da sanha popular os que foram entregues ao seu brio e que, maneatados, só deviam pertencer ao poder das leis.

A custo se introduzira Rosa entre as fileiras da tropa, e conseguira, com a interferencia de um tenente que folgara de ter occasião de subtrair ao povo uma victima, soltar um dos officiaes prisioneiros, e trazel-o pelo braço fóra do alcance da furia popular:--era Leopoldo de Lencastre.

--Temos contas a saldar, snr. capitão, e será o seu formoso palacio o logar do ajuste.

--Conheci-a logo no seu disfarce, snr.a Rosa, e a minha cobardia, se m'o concede, não é de tal quilate que me leve a bater-me com... o snr. tenente...

--Em sua casa será obrigado a entrar no repto.

E caminhando sempre, sem troca de mais palavras, deram entrada no salão, onde Sebastião da Mesquita acabava de ouvir, enfurecido, o ephemero resultado da busca a que procedera Arthur Soares.

--A proposito chega e condignamente conduzido é o villão ao seu prostibulo... Ajoelhe immediatamente aos pés d'aquella mulher, e peça-lhe a honra de ser sua esposa...

--Mas... snr. Sebastião da Mesquita... um fidalgo...