«Foi o velho rei David,
o primeiro dançador;
vamos nós tambem dançar,
cada um com o seu amor.
«Fazes mal, linda Maria,
convidar em lar alheio;
do temôr e d'altivez
a virtude jaz no meio.
«Não te pedi o conselho,
e vem tarde a correcção;
quem á festa convidou,
agradece a minha acção.
«O fidalgo que dá festa,
incapaz é de ralhar;
mas o sabel-o não deve,
ser motivo p'ra abusar.
«Digam todos que me ouvem,
se eu me quiz entremetter;
seja a resposta o signal,
para a gente s'entreter...»
E começou o baile, vivo, animado, delirante.
Nos pequenos intervallos do bulicio dançante, e em quanto eram servidos os convidados, tinham logar as intrigas ou, sem cheiro de gallicismo, as mystificações.
A vivandeira, sempre pelo braço do soldado, fôra a que mais valente se tornara em phrases de mystificar. Dirigindo-se a todos os grupos, simultaneamente, e procurando dar á voz esse tom desconhecido que, nos bailes d'esta ordem, faz parecer igual o metal de todas as vozes, conseguiu, em pouco tempo, chamar sobre si todas as attenções. Além da agudeza e propriedade dos seus dizeres, concorreram tambem, para um tal resultado, a notavel elegancia da vivandeira, e o porte pretencioso e audaz do militar seu companheiro.
A Leopoldo, fallou a vivandeira assim:
--Porque não está aqui tua mulher?...