--Porque está n'outra parte... Tu querias conhecêl-a?

--Conheço-a, e conheço-te... Ella é uma creatura angelica, e tu és um marido ao qual assenta bem o adagio portuguez, que diz: «Horta sem agua, casa sem telhado, marido sem cuidado, de graça é caro...»

E finalisando com uma risadinha aquella allusão, foi dizer a Arthur Soares:

--Conheço a origem da sua habitual tristeza, cavalheiro... Pensa... na dôr de Maria...

--E não lhe parece motivo de grave meditação o soffrimento da Virgem?...

--Ha dôres muito semelhantes, que não merecem ao cavalheiro o menor cuidado...

--Porque talvez as desconheça...

--Não: é porque se não póde dividir o sentimento forte...

--E, quando seja assim, o culpado sou eu?...

--Não é culpado, mas é causa de culpas... Quando as conhecer, saiba comprehendel-as e desculpal-as... Adeus!