Prepassou rapidamente por junto de João de Lencastre, e disse-lhe:
--A palavra do homem de bem é sagrada: conto com o seu silencio...
Em seguida foi collocar-se, sempre pelo braço do soldado, em frente de uma distincta senhora, á qual dirigiu a palavra n'estes termos:
--Por este meu companheiro, fui rogada, para dizer a v. exc.a uma impertinencia: desejava pagar-lhe o beneficio de me trazer a este baile... Dá licença que eu falle, minha senhora?...
--Dizia minha avó, que triste da casa, onde a gallinha canta, e o gallo calla... Mas como é para ser pago um favor, venha de lá a tua impertinencia...
--Digo, fielmente, as palavras que me ensinaram: «Queimou-se a fôrca, cahiu o tyranno».
--Pena foi que elle cahisse, e ella se queimasse, antes de ter lá subido o atrevido que te ensinou...
--Eu, minha senhora, não tomo a mais pequena parte...
--Acredito, dei-te licença, e não te quero mal. Aconselho-te, porém, que te desquites d'esse companheiro: os da sua laia, substituiram a fôrca pelo punhal, que é mais leve, traiçoeiro, e menos apparatoso...
O careta vestido de magistrado, que ouvira o dialogo precedente, disse ao fidalgo antigo, que estava ao seu lado: