--Conheces aquella senhora, que respondeu á vivandeira com tanta vivacidade?

--Não é a viuva irmã do dono da casa?

--É. Que juizo fórmas da sua alma?

--Parece que não desgostaria de vêr continuar a pernear os malhados...

--Como te enganas!... É a alma mais completa e mais sublime, que sahiu das mãos do Creador. As suas acções, são uma perfeita antithese das suas palavras...

A vivandeira, livre já do peso sob que parecia vergar com a commissão do companheiro, procurava alguem com anciedade. Percorridos todos os salões, sem encontrar quem desejava, foi a um dos terraços, onde Sebastião da Mesquita passeava, parecendo alheio á festa. A vivandeira, mal que o vira, despediu bruscamente o soldado, e dirigiu-se ao velho fidalgo:

--A tristeza de que v. exc.a está possuido, procede do conhecimento da fuga inesperada de uma donzella, companheira de infancia de sua exc.ma filha, não é verdade?...

--Não conheço quem me interroga, nem sei quaes sejam os direitos que julga ter para me interrogar...

--Queria... desejava dar cumprimento a uma vontade e pedido da pessoa a que me refiro... Se V. Exc.a désse licença...

--Tirando primeiro esse panno que lhe cobre a cara, póde fallar.