--É que... para o que tenho a dizer e a fazer, posso conservar o meu incognito... É só pedir, em nome d'ella, perdão a V. Exc.a se algum desgosto lhe causou com o seu procedimento, e beijar-lhe a respeitavel e bemfeitora mão...

--João, Arthur, meus amigos, venham cá!... É preciso obrigar esta mulher a descobrir a cara...

--Senhor!... Uma tal violencia, sem auctorisação do cavalheiro dono da casa...

--Quero-o eu!...

A estas vozes, demasiado vivas, acudiu gente das salas, que repentinamente conheceu a origem da altercação.

A senhora, que déra licença á vivandeira para lhe dizer uma impertinência, foi a que primeiro a protegeu:

--Estranho que o primo Sebastião, um consummado fidalgo e cavalheiro, tentasse fazer violencia a uma fraca mulher... Esta pequena, senhora ou burgueza, fica, desde este momento, considerada como se fôra minha filha!... Conserva o teu incognito, que ninguem agora se atreverá a descobril-o...

--Se V. Exc.a quer, snr.a condessa, eu levo comigo essa menina para o convento...

--Obrigado, Eulalinha, pelo teu bom desejo. És uma criança tão formosa do corpo como da alma: Deus ha de proteger-te.

--Mas, minha boa irmã, V. Exc.a bem sabe que devemos ao primo e snr. Sebastião da Mesquita, toda e qualquer satisfação que elle peça; não só pela qualidade da pessoa que é, como por ser nosso parente, e meu hospede... Talvez que essa creatura o offendesse, e...