—Dize-lhe que me chamo... uma senhora de caridade.

—Oh! sim. A caridade em pessoa. Eu não sabia que n'este mundo se podia achar tanta bondade. Desde a minha infancia só conheci o mal. Agora, minha senhora, creio bem na caridade.

Gella beijou as mãos da sua protectora, e levantou para ella um olhar de reconhecimento.

De repente, por um sentimento profundo de gratidão e de piedade, a senhora de Valneige disse-lhe:

—Agradeço-te, Gella, o não teres nunca concorrido para a infelicidade de meu filho, e teres querido entregar-m'o. É preciso que haja entre nós uma ligação; vou dar-t'a, has de guardal-a toda a vida.

Cortou então um dos lindos e loiros caracoes de Adalberto, e deu-o áquella infeliz, que respondeu humildemente:

—Eu não sou digna d'elle! Oh! obrigada, obrigada, senhora!

Depois ficou como desfallecida pela surpreza e pelo enternecimento, e tendo chegado a hora da separação Gella, só com as suas recordações, escutou, com o coração despedaçado, os ultimos passos do pequeno Adalberto....

A senhora de Valneige depois de ter cumprido{267} esta piedosa digressão, voltou para a casa branca, e seu marido approvou tudo quanto ella tinha feito e dito.

Durante o dia passearam pelos arredores. O verdadeiro motivo d'este passeio foi ver as pessoas, que tinham tomado uma parte tão activa em libertar Adalberto.