O homem de ferro desceu tambem. (Pag. 261.)
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—Perdoe-me, senhor Adalberto, se ouso ainda dizer-lhe tu; é a ultima vez! Não nos veremos mais sobre a terra...
E Gella desatou a chorar. A senhora de Valneige respondeu:
—Não chores, minha filha, diz-me o coração que nos havemos de tornar a vêr; sê honrada, sê christã e Deus será comtigo. Não sei o que vai ser de ti; mas, visto que a tua enfermidade não te deixa d'aqui por diante seguir uma vida de saltimbanco, quero ajudar-te a trabalhar ou como costureira ou fundando-te um pequeno negocio. Acceita este dinheiro, que pagará a tua viagem e te permittirá começar qualquer coisa e esperar o ganho.
Ao mesmo tempo entregou a Gella um bilhete de quinhentos francos. A doente via este bilhete na sua mão e não podia acredital-o.
—Senhora, disse ella, confunde-me com tanta bondade!... Mas eu não posso acceitar este dinheiro. É verdade que esta somma me salvaria, que eu ganharia facilmente a minha vida em Lyão, ao pé de minha tia, e que meu pae, vendo-me começar um pequeno commercio, renunciaria, talvez, ao seu modo de vida, que presentemente o cansa; mas que lhe hei de eu dizer, quando elle me perguntar d'onde me vieram estes quinhentos francos? É preciso que elle não desconfie de cousa alguma.
—Responde-lhe que uma senhora te viu no hospital, se compadeceu da tua desgraça e{266} que te quer ajudar na tua laboriosa existencia.
—Mas se quizer saber o seu nome?