Cuidado com o garoto! (Pag. 85.)

Á força de andar sem outro fim senão fugir, cançam-lhe as pernas e pergunta com medo:{87}
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{89} «onde estou? onde vou?» A inquietação junta-se no seu espirito ao desejo febril de se afastar da ambulante. Oh! miseria! percebe que na sua carreira insensata, voltou pelo mesmo caminho, e está outra vez na praça, que atravessou ainda agora para ir ao padeiro! Que ha de fazer?

Olha para todos os lados com tal anxiedade, que as pessoas que passam, por mais indifferentes que sejam, lh'a conhecem na cara. Uma boa mulher, que vendia maçãs, fal-o parar, e diz-lhe com bom modo:

—Ó homemsinho, andas á procura do teu caminho?

—Não.

—Não? Pois parece bem que sim. Onde vais tu?

—Para ali.

—Para ali para onde? para o lado do carvoeiro?

—Nada, não.

—Mas ainda agora estavas lá á porta; dize, anda, falla.