—Sim... Não!

—Como te chamas tu?

—Adalberto, não... não!

—Ah! tu não sabes o que dizes!... Olhe tia Dubois, não vê este pequeno com um casaco que não foi feito para elle, e a fita doirada no cabello? Não será este o que andam procurando acolá?{90}

—É possivel. Tem ar de vagabundo; mas seja o que fôr, não me metto n'isso; eu não me entendo com a canalha.

—Não importa, um cão que fosse, e que se perdesse quereria fazer-lhe achar o dono; eu cá sou assim...

Ao mesmo tempo, metade por bom coração, metade por gostar de emoções, a boa vendedeira de maçãs pegou na mão de Adalberto para o levar para o lado do carvoeiro. A criança resistiu, com grande espanto da boa mulher que lhe repetia procurando arrastal-o:

—Mas vem d'ahi, tolinho! uma vez que eu te digo que tua irmã mais velha te procura, e que o teu papá anda em busca de ti por outro lado; olha, vêl-o? vem para aqui.

Adalberto viu com effeito o Hercules que caminhava a grandes passos, olhando sombriamente em redor de si; parecia pedir um ponto de apoio para a sua colera. Um medo inexplicavel se apoderou do desgraçado pequeno; teve um momento de incerteza, não sabendo se ia cahir ali paralysado diante do seu perseguidor, ou se tentaria recuperar a liberdade. A energia da sua natureza venceu. Escapando-se á vendedeira, mette-se pela rua em frente e corre o mais que póde, até que se sentiu sem folego.

Depois d'esta rua acha outra, depois ainda outra, e ao longe avista a planicie, que era a extremidade da pequena cidade; se podesse{91} correr ainda chegaria ao campo, e esconder-se-ia em qualquer canto.