O FREGUEZ.
Responde por isso?
O VENDEDOR.
Se o não achar bom torne a trazel-o.{104}
D'este modo o gordo Baptista tinha resposta para tudo, e o freguez, cansando primeiro do que elle, comprava arenques e queijo, que, devemos dizel-o, tinham todas as qualidades requeridas, visto que o que se quer é que cheirem bastante.
Tal era o senhor Baptista, não fallando por sua vontade senão para os seus negocios, e silencioso para tudo mais. D'ahi vinha aquella resposta. Mas, quando a tia Tourtebonne agarrava alguem, não era facil escapar-lhe; por isso continuava com viva emoção e no interesse da moral:
—Pois é verdade, já não ha crianças! quem tal havia de imaginar? Um pequenote que não responde quando a gente lhe quer fazer um serviço? Ah! se o papá tivesse vindo por aqui tinha-lhe feito os meus comprimentos. É preciso ser bem creado e não voltar as costas quando alguem falla.
Estas palavras foram ditas justamente quando o senhor Baptista tinha dado meia volta á direita para entrar na loja; applicou o dito a si, e a polidez franceza, que os Normandos adoptaram como os outros, fêl-o parar, sem querer, no limiar da porta.
—Mas quem havia de imaginar uma coisa assim? um pequeno que não sabe o caminho devia estimar muito que eu deixasse as maçãs para lhe dar attenção. Mas qual! Emquanto se lhe mostrava a rua Verde eil-o que{105} enfia pela rua Azul. Demais, pois que! digamos tudo, ha paes que batem nos filhos como se elles fossem de pedra e isto não os prende em casa. As crianças basta só castigal-as, não se devem espancar. Este pobre pequeno é talvez muito infeliz. Ainda agora estava á porta do carvoeiro com sua irmã mais velha e duas outras crianças, um rapaz e uma pequenita. Viu-os senhor Baptista?
Ainda que a pergunta fosse directa, o vendedor de queijo livrou-se ainda d'ella com o tal hum! que preferia a tudo, e ao mesmo tempo fez tres signaes com a cabeça d'alto a baixo, o que equivalia a sim, sim, sim.