—Oh! meu filho, o que me pedes tu? é impossivel.

—Está bem, chame-me como ainda agora quando me dizia baixinho: Pequeno, estás ahi?

—Pois sim. Dizia eu que o pae estava furioso. Poz-se a procurar pela cidade; uma mulher fel-o parar e fallou-lhe do commissario de policia. Elle então disse que te avistava e safou-se. Quando nos juntámos, elle e eu, sem te havermos achado, cahiu sobre mim e deu-me pancada! oh! mas que pancadas! a tal ponto que eu, que tive sempre medo d'elle, zanguei-me e resisti-lhe.

—Como! teve animo?

—É verdade, sentia-me fóra de mim. Disse-lhe que estava bem contente de te haver perdido, porque se era muito infeliz com elle, e accrescentei: «Sei onde elle está, mas não irei buscal-o com medo que o espanques. Se elle fallar, tanto peior para ti.» Elle tornou a praguejar e a bater-me...

—Pobre Gella, tudo por amor de mim!

—E acabei por lhe gritar: «Pois olha não has de tel-o, só se prometteres não lhe bater se eu o trouxer.» Ainda não sei como esta palavra o acalmou; deixou de me maltratar e disse-me:{138} «Vai buscal-o, que lhe não tocarei, e prohibo a mãe de o castigar.»

—Oh! boa Gella! quanto lhe agradeço! Mas sabia então que eu estava n'aquella adêga?

—Estava certa d'isso. Tive pena, mas pena como nunca tive de ninguem! Dizia commigo: se o deixo ali dentro, que triste morte! e se o levo, que triste vida!

—Gella, visto gostar de mim, porque me não deixa fugir?