—Oh! meu pobre pequeno! Toda a cidade está álerta por se ter perdido uma criança. Se te escapas, far-te-hão perguntas, prenderão meu pae, mas antes de o levarem matar-me-ha elle, e serás o culpado. Queres fazer-me mal?
—Não, não, minha boa Gella, prommetto-lhe que hei de ter juizo, respondeu affectuosamente Adalberto, que o reconhecimento já prendia á sua protectora.
Não disse mais nada; mas olhava de longe para uma lanterna, que dava uma luz baça sobre os carvalhos. Era a da carruagem.
A uns cem passos de distancia, Gella poz o pequeno no chão e deu-lhe a mão.
Elle não pensou mais em fugir. Que o Hercules fosse preso, e que elle, Adalberto, fosse a causa, parecia-lhe uma desgraça bem pequena; mas excitar a vingança de um homem como aquelle, e entregar á sua terrivel colera Gella, que o salvára... que ingratidão! Caminhava{139} devagar ao pé d'ella dando dois passos em quanto ella dava um.
Quando chegaram poz-se a tremer; a boa rapariga apertou-lhe a mão e socegou-o. Gella, era uma authoridade.
Tornando a tomar por natureza e tambem por calculo os seus modos asperos, disse bruscamente:
—Aqui o tens, elle aqui está, o teu pequenote. Vamos, Mustaphá, sobe, avia-te.
Todos dormiam, excepto o homem de ferro que não disse palavra. A criança morria de medo por tornar a entrar na carruagem; Gella seguio-a e a porta da casa do saltimbanco fechou-se sobre elles.
Adalberto ousava apenas respirar.