Só dois dias! Era preciso aproveital-os. Estavam mais vezes ao pé de sua extremosa mãe, olhavam mais para ella para levarem a sua imagem bem gravada n'essa memoria do coração, que acompanha nos estudos as crianças affectuosas.

—Vejamos, disse a senhora de Valneige ao almoço, chegou o momento de conferir ao vencedor o premio mysterioso.

—Que felicidade! exclamavam os pequenos, e Camilla tambem, por amor fraternal.

—Não quero esperar pelo ultimo dia. Ainda que saibam partir de bom humor como rapazes de juizo, conheço que o coração deve{187} estar muito opprimido para gozar francamente de qualquer coisa.

—Tem muita razão, minha querida mamã. E Frederico e Eugenio abraçavam sua mãe, que, vendo-se assim presa, disse com o seu mais amavel sorriso:

—É ámanhã ao jantar, á sobremeza que eu hei de dar os premios.

—Como, os premios!

—Sim, os premios. Ambos luctaram admiravelmente e com igual destreza. O papá fez a conta dos tiros; um de vocês tem vantagem, mas o outro segue-o de tão perto, que, na verdade, não posso deixal-os partir sem lhes dar um testemunho honroso. Terão, pois, um primeiro premio, e um segundo premio, alguns condiscipulos, um bom jantar e vinho de Champagne!...

Ao ouvirem isto romperam em palmas e gritos de alegria. Uma festa em Valneige! Havia dezoito mezes era a primeira vez que Frederico e Eugenio viam preparar um divertimento, que se parecesse com os que havia d'antes. Divertiam-se, mas sempre uns com os outros.

D'esta vez tratava-se de convites, que queria dizer tres amigos da visinhança: Paulo, Eduardo e Christiano. Estes tres eram os mais intimos, e eram optimos rapazes! Riam muito, o que é uma grande coisa! Estes sujeitinhos só comprehendiam perfeitamente uma phrase que nos{188} vem dos antigos: «para ámanhã os negocios sérios.»