A Muza, que ha pouco as fez,
Outra rima não me inspira;
Por mais que mordo nas unhas,
E que em vão tempéro a Lyra.

Acceitai meus bons dezejos;
E como homem de razão
Não desprezeis baixos Versos,
Quando os dicta o coração;

Minhas fiéis expressões,
Filhas de amor, e saudade,
O que não tem em poezia,
Lhe vai supprido em verdade.

Em quanto co'as soltas vélas,
Forçadas do vento rijo,
Demandava a Galeota
Os areaes do Montijo;

Em quanto ao Principe Augusto
O patrio Téjo se humilha,
E sobre os rasgados hombros
Lhe leva a soberba quilha;

Meus olhos, meus tristes olhos,
Nas aguas seguindo a esteira,
De lagrimas se arrazavão
Sobre as praias da Junqueira.

Dentro do cansado peito
Se ateou crua peleja;
Senti huma guerra viva
De saudades, e de inveja;

Não era de baixa inveja
Affecto grosseiro, e injusto;
Era invejar ao Creado
Ir junto a seu Amo Augusto.

Senhor, não sou atrevido;
Ha lugares derradeiros;
O meu dezejo me punha
Entre a chusma dos Remeiros;

Com as faces açoitadas
Dos agudos ventos frios,
Entre os borrifos das ondas,
E as pragas dos Algarvios;